Luta Classista

outubro 31, 2008

Conlutas ou Conciliação?

Filed under: 1 — lutaclassista @ 1:38 pm

Atividade cultural no 1º congresso da Conlutas. Cultura proletária??? !!!

Abrandou nas críticas ao governo Lula.   Desvia da luta classista para a farsa eleitoral.

Participa de campanhas diversionistas da CUT e demais centrais pelegas.

Está de olho na legalização e nos recursos do Imposto Sindical e do FAT

A Conlutas foi fundada com o propósito de ser uma coordenação nacional de lutas, composta por entidades sindicais, organizações populares (estudantes, etc.), movimentos sociais (GBLT, etc.). Como afirma em sua declaração de fundação para “se construir como uma alternativa de luta para os trabalhadores”. No entanto, na prática, cada vez mais, tem se desviado do caminho das lutas e se aferrado ao pântano da conciliação de classes e do eleitoralismo. Com uma composição totalmente eclética, a Conlutas é dirigida por grupos trotskistas1 co-fundadores do PT e que, apesar de terem rompido formalmente com ele, apoiaram Lula em 2002, seguiram participando de “malas e bagagens” na farsa eleitoral e só romperam com a CUT em julho de 2004.

O projeto eleitoreiro acima de tudo

Recentemente (junho/2008), a Conlutas realizou seu 1º Congresso Nacional. Foi em Betim (região metropolitana de Belo Horizonte) com o patrocínio da Prefeitura do PSDB, que cedeu as instalações do Ginásio Poliesportivo Divino Braga, além de fretamento de ônibus, hospedagens, etc. Até aí tudo bem, é um direito dos trabalhadores utilizarem as instalações públicas e ter apoio de órgãos púbicos, afinal é quem mais paga impostos neste país. No entanto, a canalha política que se acha encastelada nos órgãos públicos, prefeituras e governos não pensam assim e não fazem nada de graça. Na verdade todas essas “facilidades de organização” e “filantropia” da prefeitura do PSDB e de suas lideranças políticas resultaram de acordos e conchavos eleitoreiros entre PSTU/PSOL e PSDB/PV de Betim. No acordo a coligação PSOL-PSTU lançaria candidatura própria para dividir votos e auxiliar a vitória e continuidade do PSDB/PV na prefeitura. No acórdão, fechado com o PSDB de Aécio Neves e o PV do mega empresário Vitório Mediolli a chamada “Frente de Esquerda Socialista de Betim” lançou o Sargento Peixoto.

Em uma organização com critérios deste naipe, a discussão central do seu Congresso não poderia ser outra que a reedição da chamada “Frente de Esquerda” entre o PSTU e o PSOL. Quer dizer: frente popular eleitoreira. O controle e cadastramento eletrônico de delegados; taxas de inscrições com valores altíssimos (“delegado de sindicato: R$ 664,00 – delegado de oposições e minorias de diretoria: R$ 314,00 – delegado de movimentos populares e organizações estudantis: R$ 214,00”) sua composição não poderia deixar de ser a imposição de uma maioria artificial de delegações de estudantes num congresso sindical. O funcionamento do congresso também teve a mesma característica burocrática dos congressos da CUT, não abordando questões fundamentais da luta da classe, como a questão agrária. Com as velhas práticas e costumeiras manobras imperou-se a manipulação das propostas e da distribuição do tempo, com discussões superficiais, votação por “claques”, etc., uma farra.

PSTU manobra a Conlutas

Manobrada pelo PSTU a Conlutas mostra os mesmos defeitos e segue o mesmo modelo e métodos urdidos pelo PT para a CUT. O presidente do PSTU, José Maria de Almeida (co-fundador do PT e da CUT) também é presidente da Conlutas. A composição da direção da entidade tem a maioria vinculada ao PSTU e minoritariamente ao PSOL. Não é uma organização propriamente sindical, para organizar lutas classistas e combativas, mas sim trampolim eleitoreiro. Nos anos de eleições, suas principais lideranças se enterram totalmente na farsa eleitoral sujeitando a entidade e as lutas dos trabalhadores ao mesmo pântano. Um exemplo basta para desmascarar: agora nessas eleições em Belo Horizonte o lema da candidata do PSTU à prefeita foi: “vote para mudar BH radicalmente!” A demagogia bravateira não é mais que uma entre tantas piadas do circo eleitoral! De fato, com tanto oportunismo, como pode se opor decididamente ao governo de turno de Lula e suas reformas antioperária e antipovo?

Centrismo e conciliação

Desde seu início, com suas posições centristas, a Conlutas/PSTU vem criando empecilhos ao desatamento de lutas radicais e classistas. Foi assim no encontro sindical de 13 e 14 de março de 2004, em Luziânia (GO), com mais de 2.000 representantes de entidades sindicais, onde o PSTU fez de tudo para impedir que fosse aprovado o caminho da construção da GREVE GERAL para barrar as “reformas”. O mesmo ocorreu no Encontro Nacional contra as “reformas” de 25 de março de 2007, em São Paulo, organizado junto com o FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores); Intersindical, MTL; MTST; CEBs/Pastorais Sociais/SP, Andes/SN; etc. Nele se privilegiou a intervenção dos partidos eleitoreiros, de candidatos como Heloisa Helena, e se manobrou para impedir o debate da preparação da Greve Geral e de um plano de lutas de combate intransigente à política antioperária e antipovo do governo FMI-Lula. Ao contrário de impulsionar as lutas, esse encontro só serviu para o PSTU cortejar o PSOL e os setores governistas, como a “Corrente Classista” do PCdoB (hoje CTB) e a cúpula do MST. Estas direções oportunistas receberam todos os afagos por parte da direção da Conlutas que buscava unidade com os mesmos, enquanto que estes foram lá para fazer demagogia e arrastar centristas como a Conlutas/PSTU para o pântano do apoio ao governo Lula com o velho conto reformista de que é preciso atacar a ala direita do governo e não todo o governo.

A escolha pela conciliação fica também bastante evidente no manifesto denominado: “Um chamado à CUT e à Força sindical”, emitido em 6/5/08, por ocasião da diversionista campanha pela redução da jornada de trabalho lançada por estas centrais que propunham “recolher cinco milhões de assinaturas em todo o país e entregá-las ao Congresso Nacional, como forma de pressão”. É importante salientar que no mês de fevereiro, o presidente da CUT, Artur Henrique, já tinha dito que a idéia de fazer um abaixo-assinado foi do pelego-mor Lula. Segundo ele, durante uma reunião no Palácio, Lula lhe deu um “puxão de orelha” e sugeriu que as centrais sindicais fizessem “uma grande campanha para arrecadar assinaturas pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários”. “Se fosse apenas uma proposta do governo, iria se transformar em um embate entre o governo e a oposição e muitas vezes o povo ficaria alheio, assistindo aos discursos”, disse o pelego chefe Luiz Inácio.

Mas tal proposta é principalmente para desviar a atenção dos cortes de direitos e alterações na legislação trabalhista perpetrados pelo governo e que contam com a cumplicidade das centrais sindicais amarelas, ou seja, todas.

Ao contrário de desmascarar as manobras demagógicas do governo, que, em conluio com os empresários e centrais governistas, prolonga a jornada de trabalho cotidianamente, através de leis e portarias, expandindo as lesivas terceirizações, bancos de horas, acordos de compensação, imposição de trabalho aos domingos e feriados para os comerciários, etc.; o que a Conlutas fez foi dar “conselhos” para a CUT e Força Sindical e fazer um chamado de ação e “luta” com esses traidores. Também participaram das atividades do dia 28 de maio/2008 organizada pelos pelegos e ainda lançaram um programa onde fazem súplicas à Lula.

Agora, nas campanhas salariais em curso (setembro/outubro), a Conlutas continua a fazer “um chamado à CUT e à Força Sindical”, alegando que “só com unidade entre os trabalhadores será possível obter uma grande vitória nessa campanha salarial”. E seguem clamando mesmo constatando que “os sindicatos da CUT, como os metalúrgicos de Taubaté e do ABC, nem divulgaram o índice que estão reivindicando e formaram junto com a Fiesp um grupo para impedir a criação do gatilho salarial”.

“Esquecimento” da luta contra as “reformas”

Em sua última reunião da coordenação nacional, dias 13 e 14/09, a cúpula da Conlutas se “esqueceu” totalmente da luta contra as “reformas” sindical, trabalhista e previdenciária do governo FMI-Lula. A principal indicação foi a de prosseguir a unidade de ação com setores ligados ao governo e a Igreja, como o MST, Pastoral Operária, etc. Unidade de ação nos moldes da participação da Conlutas junto com PT, Pecedobê, MST, CUT, outras centrais sindicais, etc., no ato de apoio ao oportunista e reformista-burguês governo de Evo Morales, realizada dia 18/09/08, em frente ao Consulado da Bolívia, em São Paulo!

Sem classismo e sem plano de lutas combativas, a Conlutas (ou Conciliação?) segue à reboque da CUT/Força Sindical e contribui nas tentativas de desviar a atenção do massacre promovido pelo governo contra os trabalhadores, terminando por servir também de base de sustentação para esse Estado podre e genocida, sua farsa de democracia e os cortes de direitos perpetrados golpe à golpe pela gerência do pelego-mor Luiz Inácio.

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