Luta Classista

outubro 30, 2008

Brasil: democracia para os ricos e ditadura para os pobres

Filed under: 1 — lutaclassista @ 4:54 pm
O velho e podre Estado brasileiro acoberta crimes dos ricos enquanto pratica o genocídio contra os pobres
“O Estado não tem carta branca pra matar ninguém!...”

Taxista Paulo Roberto Amorim, pai do menino assassinado pela polícia militar do Rio de Janeiro, João Roberto, de apenas 3 anos, no dia 07/07/08, desabafa indignado: “O Estado não tem carta branca pra matar ninguém!...”

A situação que o povo enfrenta no país é revoltante. Uma espiral de violência ceifa a vida de nossos jovens e trabalhadores pobres. A polícia invade favelas e bairros da periferia cometendo todo tipo de covardia. O exército invade morros no Rio de Janeiro igual uma força de ocupação estrangeira, como faz no Haiti. O rastro de sangue e assassinatos da ação policial tem sempre a mesma versão cínica: “polícia enfrenta e mata bandidos ou traficantes de drogas”.  Mas não há despreparo da polícia; ela é treinada e comandada para fazer exatamente o que está fazendo – aterrorizar e matar pobres.

As cadeias estão superlotadas por pessoas miseráveis, muitas delas inocentes, submetidas a todo tipo de tortura e humilhação.  Os números de pessoas assassinadas e feridas a bala são de um país em guerra. De um lado o aparato repressivo do Estado, armado até os dentes, e do outro uma massa empobrecida, do campo e da cidade, violada em seus mais elementares direitos. Há um clima de histeria criado pelo monopólio da imprensa reacionária pedindo mais repressão, exigindo mais sangue. Nossos jovens são apresentados como monstros e estão sendo caçados e abatidos como animais ferozes.

Mas não estamos propriamente numa guerra. Quando só morre gente de um lado, não é guerra, é genocídio. Esta é a política de controle social do imperialismo, colocada em prática por este velho Estado: tem fábrica, igreja ou cadeia. Se a fábrica não precisa e a igreja não consegue atrair, jogue nas cadeias ou mate.

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Exército assassina três jovens no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, dia 14/06/08. Povo indignado e revoltado faz manifestação de protesto em frente ao comando militar

Fala-se muito que vivemos num Estado democrático de direitos. Os chamados direitos sociais inscritos na constituição nos servem alguma coisa? O povo tem direito a educação e a saúde? Tem direito a moradia, ao trabalho e remuneração que cubra suas necessidades básicas? Uma família do povo tem tranqüilidade para criar e educar os seus filhos? Uma pessoa do povo é tratada pela polícia como inocente até que se prove o contrário? 

Pela constituição, o salário mínimo deveria ser de mais de 2 mil reais. O trabalhador que recebe 415 reais está sendo roubado todo mês em mais de 1.600 reais. Algum governante já foi preso por cometer este assalto contra milhões de trabalhadores? Não, mil vezes não! Não há democracia para o povo, nossos direitos assim como a democracia e a república no Brasil é uma mentira!

Corrupção, crise moral e impunidade para os ricos

Para as classes dominantes existe um outro Brasil. O governo socorre com bilhões de reais os especuladores banqueiros, latifundiários e monopólios para socorrê-los da bancarrota mundial do capitalismo. Já as pequenas e médias empresas resta-lhes a falência em meio a dívidas, impostos escorchantes, falta de crédito e altas taxas de juros.

No Brasil dos ricos, os escândalos explodem diariamente envolvendo alguns políticos ou altas figuras das classes dominantes. A crise agudiza muito a luta entre eles. E são sempre acusações gravíssimas de roubo, malversação e desvio de dinheiro público, corrupção, traição, tráfico, suborno, prevaricação, chantagem, assassinato, etc. Mas tudo termina inevitavelmente no esquecimento ou na absolvição pela justiça, apesar de abundância de provas. Quando ocorre de algum membro das classes dominantes ser preso, logo surgem protestos contra o abuso de autoridade, contra o espetáculo do uso de algemas, contra as péssimas condições carcerárias!

 No mais, os ricos seguem suas vidas de nababos, com ostentação, luxo e desperdício, às custas da exploração dos trabalhadores e numa afronta ao povo que é submetido as mais terríveis condições. 

Ditadura e democracia, duas faces de uma mesma moeda

Faz parte da contra-propaganda do imperialismo e de seus aliados (incluindo aí o oportunismo) falar de uma democracia absoluta e em contraposição à ditadura. É uma concepção reacionária usada para confundir as massas e desorientá-las na luta por uma nova democracia. É a concepção vulgar para sustentar que hoje vivemos numa democracia e que ditadura ocorreu no período do gerenciamento militar.

A rigor, no Brasil, não temos um governo nacional. Os governantes das classes dominantes nativas (grandes burgueses e latifundiários) são meros gerentes dedicados a perpetuar a dominação imperialista sobre o país. As leis, a justiça, o exército e a policia são para proteger a ação dos monopólios que exploram ao extremo os trabalhadores e as riquezas nacionais. A sociedade brasileira está irremediavelmente dividida em classes antagônicas e irreconciliáveis. A democracia que existe para os ricos é ao mesmo tempo ditadura para os pobres. Não seria possível aos ricos explorar e submeter a nação sem uma ditadura tão feroz sobre o povo.

Tão decantadas pelos imperialistas, oportunistas, pelegos e traidores, esta democracia parlamentar e as eleições nada mais são que o “direito” do povo escolher quem irá lhe chicotear nos próximos 4 anos.  O que para os ricos é democracia, para os pobres é ditadura. O povo só conhece obrigações e o peso da repressão para que não se rebele.

Polícia age a serviço do latifúndio e destrói acampamento de camponeses pobres. Mas a luta camponesa não retrocede e avança

Mas onde há exploração e opressão há sempre resistência. O levante das massas é inevitável. Desmascara-se a gerência FMI-Lula, governo desta esquerda oportunista, carreirista e eleitoreira. Suas organizações de colaboração de classes e conciliação com o Estado desmoralizam-se. Esse é um duro golpe a este sistema de dominação.

Novos movimentos de massas estão surgindo trilhando o caminho da luta classista, combativa e independente.

A luta operária, camponesa, estudantil, feminina, de professores, etc., ganha novas e grandiosas perspectivas. A criminalização dos movimentos sociais é a resposta deste velho e podre Estado. Estes movimentos estão sendo acusados de envolvimento com drogas, de formação de quadrilha para colocá-los na ilegalidade e justificar a perseguição, prisão e assassinato de suas lideranças.

Organizar o povo para conquistar uma nova e verdadeira democracia

Se o regime de democracia para os ricos e ditadura para os pobres arruína o nosso povo temos que nos organizar para a construção de uma nova e verdadeira democracia.

E como ainda estaremos numa sociedade de classes com interesses antagônicos e irreconciliáveis, será uma democracia para as classes populares e ao mesmo tempo uma ditadura sobre os grandes burgueses e latifundiários.

Só que uma nova democracia, com um novo caráter, pois será uma democracia para a grande maioria e uma ditadura para uma pequena minoria. E, ao contrário de servir ao atraso e à subjugação nacional, servirá ao progresso e à conformação da república e da nação brasileira.

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