Luta Classista

setembro 19, 2007

Fora com o peleguismo e todo tipo de oportunismo

Filed under: Sem categoria — lutaclassista @ 4:20 pm

Varrer com os pelegos e os oportunistas encravados no movimento sindical brasileiro é uma necessidade vital para o avanço das lutas da classe operária. O peleguismo e o oportunismo são camisa de força e fonte de obstáculos para o desenvolvimento das lutas.

Marcha da CUT e Força Sindical em Bras�lia: mega-pelegos Luiz Marinho e Paulinho acordam salário m�nimo de miséria e presenteiam com camisetas o pelego-mor

Os dirigentes sindicais pelegos são agentes a soldo e a serviço da patronal. Sempre foram utilizados como meio de tentar deter as mobilizações e greves combativas dos operários, limitam o alcance das lutas e o desenvolvimento de movimentos que questionem esse genocida sistema de opressão e exploração. Esses agentes patronais sempre procuram o caminho da conciliação e não o da luta. Exemplo clássico desse tipo de sindicalismo pelego é o desenvolvido pela Força Sindical, altamente envolvida em articulações patronais e usada como suporte dos governos Collor e FHC. É o que atestam as trajetórias escabrosas de Medeiros, Paulinho e etc. Também é o caso da CGT, vinculada ao PMDB, entre outras centrais pelegas.

Já o oportunismo é uma modalidade de peleguismo mais refinada, caso da CUT. Usam das mobilizações da classe para desviá-las do seu destino histórico, para se projetar e conseguir cargos no aparelho de Estado. Quando hoje o oportunismo encontra-se no núcleo da gerência do velho Estado reacionário (governo federal), fica claro como a combatividade das massas, expressa em greves que aconteceram no fim do regime militar, especialmente nos anos de 1979/80 (como a da Volks no ABC paulista, da Mannesmann, dos operários da construção e dos professores estaduais em Minas Gerais, dentre outras), foi canalizada para pavimentar o jogo eleitoreiro destas lideranças sindicais da CUT.

A principal figura desse tipo de sindicalismo oportunista, o senhor Luiz Inácio, hoje ocupando o cargo de presidente da república, foi treinado nos cursos contra-revolucionários do IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre) e da CIOSL (instrumento sindical do imperialismo ianque usada para intervir no movimento dos trabalhadores e desviá-lo para a conciliação dos conflitos de classe). Os sindicalistas treinados nesses “cursos de formação” aprendem a mais refinada arte da demagogia dos pelegos equilibristas e anticomunistas que se apresentam como pessoas de esquerda (aparentando ser radical ou moderado segundo as conveniências dos oportunistas a serviço do imperialismo).

Em 1978, Luiz Inácio juntou-se a outros dirigentes sindicais (Jacó Bittar e Wagner Benevides, petroleiros; Olívio Dutra, bancário; João Paulo Pires, Henos Amorina e José Cicote, metalúrgicos; entre outros) que como ele freqüentaram cursos do IADESIL/CIOLS, para discutir a criação de um novo partido político. Todo o auto denominado “novo sindicalismo” impulsionado a partir de São Bernardo do Campo contava com quadros formados pôr ele e pelos “círculos operários” da Igreja Católica. Como é amplamente conhecido, desde a greve do ABC que abriu uma grande crise política no país, Luiz Inácio era recomendado pela figura maquiavélica e que manejava nos bastidores do regime militar fascista, o general Golbery do Couto e Silva, como uma reserva estratégica contra o avanço dos comunistas e outras forças de esquerda no meio sindical e popular. Mais tarde Luiz Inácio juntamente com Fernando Henrique Cardoso e outras “personalidades” como Roberto Civita, Celso Lafer, Celina Vargas do Amaral Peixoto y Jacqueline Pitanguy, tomam parte da iniciativa de círculos imperialistas ianques, o “Diálogo Interamericano” (O Diálogo Interamericano foi fundado em 1982, por iniciativa do banqueiro David Rockefeller. Suas principais fontes de financiamento são as Fundações Ford, Rockefeller, MacArthur, a corporação Carnegie, entre outras. Seu objetivo principal é a defesa dos interesses do imperialismo ianque e o controle social. Para isso articula lideres de países das Américas para defender os seus interesses. Em reunião realizada em Washington, no ano de 1988, estiveram presentes entre outros: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Henrique Meireles; onde se aprovaram políticas como a entrega de setores vitais e estratégicos dos respectivos países a empresas estrangeiras, algumas até estatais, pela pressão para incorporação do MERCOSUL à ALCA, desarmamento da população, pagamento da divida pública, etc.).

Em junho de 1980, alguns dias após a formalização da criação do PT, surge o chamado “ENTOES (Encontro Nacional dos Trabalhadores em Oposição à Estrutura Sindical), que mais tarde viria a chamar-se “ANAMPOS” (Articulação Nacional de Movimentos Populares e Sindical). Nesse movimento está articulado o núcleo de sindicalistas que iriam formar a CUT em 1983. A Igreja Católica, embalada com os discursos do papa João Paulo II e seu filhote Lech Valesssa teve um peso decisivo nessas articulações, através de setores da Pastoral Operária, Pastoral da Terra, Comunidades Eclesiais de Base, fornecendo locais para reunião, todo tipo de infra-estrutura, recursos e quadros, com a intervenção direta de ativistas e de padres militantes no movimento operário. Marcada por arraigado anticomunismo, a ANAMPOS, o então braço sindical do PT além da cobertura da igreja, principalmente católica, foi financiada com vultosos recursos das centrais sindicais européias, com as construções de grandes espaços físicos como Escolas Sindicais, recursos para sua movimentação e financiamento, salários para sindicalistas, viagens por todo o país e exterior, etc.. Esses recursos nunca deixaram de jorrar no caixa do PT.

A criação, em agosto de 83, da CUT – central sindical que foi ponto de convergência dos oportunistas – obedeceu ao projeto político do PT. Seu surgimento já traz a marca de sindicalismo amarelo. Os sindicalistas petistas rompem com um processo que estava em curso desde o início dos anos 80, e que se apoiava na onda de greves do período, para a construção de uma única central sindical no país. E o papel da CUT é impulsionar a construção do PT. E, assim como ele, a CUT adotou no início um discurso ultra-radical, antipeleguista e antigetulista. Pouco a pouco, esse discurso e sua prática foram transitando do radicalismo liberal para a colaboração de classes como doutrina. Partidos políticos que inicialmente foram contra o projeto da CUT, como é o caso do MR8, PCdoB e PCB entre outros (na clandestinidade à época), hoje já se encontram ou devidamente abrigados em cargos na central e no governo ou em total apoio a sua política antioperária.

Em sua fundação a CUT, inegavelmente financiada pelo imperialismo, teve que assumir posições combativas para atrair seguidores, arrastar massas e ganhar força, marcando sua atuação por greves, lutas por reajustes salariais, defesa da “reforma agrária radical sob controle dos trabalhadores”, repúdio ao FMI e disputas acirradas pelo controle de sindicatos com os pelegos tradicionais.

Durante o governo Sarney radicaliza suas posições contra a proposta de pacto social feita pelo governo, caracterizando-se este, como o período por excelência, de sua projeção nacional e internacional. Em setembro de 1988, a CUT aprova o apoio a 1ª candidatura de Luiz Inácio e inicia o processo gradual, porém sistemático, de abrandamento do discurso e incrementação da burocratização da central, dificultando crescentemente a participação dos delegados para os próximos congressos.

Durante o governo Collor fica mais evidente a política de colaboração de classes da CUT, com a priorização da “negociação” e “concertação” e as parcerias com a patronal, através da participação nas Câmaras Setoriais (mecanismo adotado pelo governo para defender os interesses dos setores monopolizados e prejudicar os trabalhadores).

A combativa greve de 32 dias dos petroleiros, no governo FHC, em 1995, é desautorizada por Luiz Inácio e a Central, através de seu presidente Vicentinho, atua para isolá-la pressionando os trabalhadores ao recuo sem conquista alguma. Aliado ao embate eleitoreiro também ocorre a contemporização com a participação na reforma da Previdência do governo e a traição de aceitar a mudança do tempo de serviço pelo tempo de contribuição, entre outras.

As medidas de flexibilização de direitos de FHC de banco de horas, terceirização, contrato temporário, tiveram acolhida nas discussões com a CUT e praticadas nos sindicatos a ela filiados. Ademais de ter sido da iniciativa do cutista Luiz Gushiken, os projetos de previdência privada através dos Fundos de Pensão, dando plena assessoria a FHC.

A CUT culmina o seu caminho eleitoreiro e papel de trampolim eleitoreiro do PT com a eleição de Luiz Inácio a presidente da “República”, tendo como vice o grande burguês/latifundiário José Alencar, em uma conformação da aliança dos oportunistas com forças da grande burguesia burocrática junto com o latifúndio. Durante o governo Lula a CUT tem os seus principais quadros ocupando altos cargos no governo e exerce o seu papel de esfriar as lutas e apoiar toda a política de arrocho e quebra de direitos implementada pelo governo. Estima-se que a CUT, desde que Lula tomou posse, tenha preenchido cerca de 1.000 cargos de confiança no governo federal. Em julho de 2005, essa relação foi coroada com a entrega do Ministério do Trabalho ao então presidente da CUT Luiz Marinho. Para cumprir o papel de cortar os direitos previdenciários dos trabalhadores e aposentados, em março de 2007, o pelego Luiz Marinho, foi transferido para o Ministério da Previdência.

Assim, a CUT apenas com uma máscara nova repete o velho oportunismo que sempre predominou no movimento operário brasileiro, cuja direção sempre conduziu a uma política de colaboração de classes. No sindicalismo brasileiro sempre predominou o sindicalismo de Estado; com raras exceções de curtos períodos em que localizadamente teve uma política classista, como na sua origem, nos anos de 1900, com a influência anarco-sindicalista, em alguns sindicatos sob a direção do Partido Comunista até a década de 1940, e nas formas mal denominadas por “paralelismo sindical” dos anos de 1950 e nas últimas décadas em alguns sindicatos liderados por correntes classistas. (Ver o Balanço Histórico do 3º Congresso da Liga Operária – http://ligaoperaria.org.br/documentos/congresso2-1.htm).

A CUT que tanta demagogia fez sobre liberdade e autonomia sindical, agora saúda o reconhecimento das centrais, integra postos-chave do governo, pleiteia os recursos advindos do imposto sindical e defende os mecanismos de controle impostos por uma reforma sindical que visa privilegiar as cúpulas sindicais e aprofundar o corporativismo.

O oportunismo centrista de Conlutas e outros

Outra modalidade nociva de oportunismo no movimento sindical e no movimento popular de uma forma geral é o que se insinua na oposição, caso da Conlutas e da Intersindical e os partidos da esquerda eleitoreira. São setores do movimento sindical que se apresentam contra o governo, mas que são também movidos por interesses eleitoreiros, participantes fiéis dessa farsa eleitoral e que se negam a agir com contundência contra o governo, contra esse velho Estado repressor e genocida. Também pudera nasceram no mesmo ninho e tem uma comum matriz ideológica.

Na verdade eles conciliam com esse Estado. E têm muitas ilusões com esse governo que está aí, com setores desse governo. A falência e a falta de perspectivas dessa direção eleitoreira ficam evidentes com a atual conciliação do Conlutas e da Intersindical com setores que estão dentro da CUT, como o caso da Corrente Sindical Classista, e outros movimentos que também tem cargos no governo, como é o caso do MST.

Vacilam entre apoiar e se opor ao governo. Mas na prática, ao confundirem as massas com seus zig-zags, servem de apoio a este governo reacionário e pró-imperialista. A direção da Conlutas, principalmente o PSTU, é de um oportunismo descarado. Exemplo dessa prática nociva foi o jogo que fizeram no massivo encontro nacional sindical, ocorrido no último mês de março, em São Paulo. O que deveria ser uma plenária para debater e estabelecer um plano de lutas de unidade de ação, não passou de ordinária propaganda de Conlutas, Intersindical, PSTU e PSOL, feita de um decadente e tedioso palavrório sobre unidade. Como na máxima do oportunismo proferido por Bernstein (do Partido Operário Social Democrata da Alemanha) de que “o movimento é tudo, o objetivo nada”. Ou seja, para levar adiante a luta, que tanto cacarejam defender, os esforços não são para dirigir-se às massas, mas sim para se unir às direções oportunistas que não querem criar qualquer dificuldade para o governo.

Os oportunistas centristas priorizam as articulações de cúpula em prejuízo da organização de um forte movimento pelas bases, em cada local de trabalho, para se opor aos cortes de direitos. Eles também se omitem de fazer uma ampla campanha de denúncias, uma campanha massiva. Abandonam a questão da preparação da greve geral, única forma de opor uma resistência séria a essa situação; e também a questão de não negociar, de não conciliar e de não ter nenhum compromisso com o governo.

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Varrer o oportunismo, parte por parte

As centrais pelegas estão na perspectiva de receber do governo uma parte do imposto sindical, isto é, mais de 50 milhões de reais. Os oportunistas centristas agrupados na Conlutas também almejam a legalização e parte desse mensalão das centrais sindicais. São recursos que o governo esta lançando mão para garantir que os traidores compactuem e aceitem toda essa política de corte de direitos históricos dos trabalhadores. Propostas defendidas pela CUT, Força Sindical, etc, como o contrato coletivo nacional por setores econômicos, em sua essência, são mecanismos para sobrepor o “negociado” sobre o “legislado”; isto é, possibilitar as traidoras centrais e a patronal fecharem acordos e impor contratos aos trabalhadores abaixo do estabelecido na CLT, fazer prevalecer o corporativismo e uma série de normas ainda piores que a legislação em vigor e deixar os trabalhadores ainda mais expostos a super-exploração da classe patronal.

Combater todo tipo de oportunismo e defender o sindicalismo de luta de classe é uma tarefa que não pode deixar de ser feita junto à luta contra a burguesia, o latifúndio e o imperialismo, sob pena de não passar de mero palavrório radical. A experiência histórica e internacional da luta da classe operária ensina que sem remover todo o tipo de oportunismo do seio do movimento operário e popular não é possível levar uma linha de classes e conquistar verdadeiras vitórias. Mas temos que reconhecer que no Brasil o oportunismo se encontra profundamente encravado no movimento operário e popular.

Mas este é um problema que afeta o movimento operário desde os seus primórdios. O grande mestre da classe operária Friedrich Engels já afirmava: “em um país de movimento político e operário tão antigo há sempre um montão colossal de lixo tradicionalmente acumulado que é preciso limpar por partes”. Isto quer dizer que não sendo possível varrer todo o oportunismo de um só golpe, temos que fazê-lo parte por parte, para ir despertando as massas do adormecimento e ilusões que o oportunismo as envolve e liberar as suas imensas energias combativas e revolucionárias.

Abaixo o peleguismo, o neopeleguismo e todo o oportunismo!

 

Viva a linha classista e combativa!

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1 Comentário »

  1. Essa matéria tá muito boa e esclarecedora, podemos seguir passo a passo o caminho do oportunismo e do peleguismo, muito bom para os estudantes e pessoas que estão distancias das lutas de classe que podem recuperar a trajetória lendo esse material de estudo que é um tesouro.
    Gostaria de receber essa matéria no meu e-mail para posterior estudo é possivel?
    Viva a Luta de classista.

    Comentário por Daní — dezembro 24, 2007 @ 9:25 pm


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