Luta Classista

setembro 19, 2007

Bolívia e Venezuela. O socialismo burguês de Chávez e Morales

Filed under: Sem categoria — lutaclassista @ 4:14 pm

No final da década de 1990, um golpe de Estado é articulado pela embaixada ianque em conjunto com as classes reacionárias na Venezuela. O golpe culmina da deposição e prisão de Hugo Chávez. As massas venezuelanas se levantaram em rebelião para se opor ao golpe, marcando o início de um novo clamor antiimperialista no continente.

Foi somente após as massas venezuelanas, em vários dias de levante na capital Caracas, enfrentando e derrotando o golpe arquitetado pela embaixada ianque, retornando Chávez ao posto de presidente da república, que este passou a fazer um discurso mais duro contra Estados Unidos. Embora venha promovendo melhorias das condições de vida das massas venezuelanas, a chamada “Revolução Bolivariana” se apóia num leque muito amplo de classes sociais que contempla muitos setores reacionários e exploradores do povo e em relações de dependência com Europa, Rússia e China.

O modelo “estatizante” de Chávez que desagrada a burguesia de todo continente, não fez, até agora, da gigante do petróleo no país, a PDVSA (Petróleo de Venezuela S/A), uma empresa genuinamente nacional e estatal. Esta segue mantendo profundos vínculos com os capitais e interesses ianques. A política “nacionalizadora” de Chávez colocou a faixa petrolífera de Orinoco nas mãos dos monopólios norte-americanos Chevron e ExxonMobil, da multinacional norueguesa Statoil, da francesa Total e da britânica British Petroleum.

Já a chamada “revolução agrária” de Chávez não vai além da desapropriação, em pequena escala, de latifúndios improdutivos através de uma bem recebida indenização paga aos proprietários rurais.

Chávez e sua “Revolução Bolivariana” falam de um “socialismo do século XXI” sem direção de um partido proletário revolucionário, sem ditadura do proletariado e sem expropriação da grande burguesia, dos latifundiários e do imperialismo, assentado no princípio único da tutelagem e controle do movimento de massas para sustentação de seu poder pessoal.

Já na Bolívia, no início de 2000, uma grande rebelião explodiu em Cochabamba contra a privatização das fontes e abastecimento de água. Nos anos seguintes, novos protestos pela nacionalização do petróleo e do gás natural. Em 2003, um gigantesco protesto popular uniu camponeses, operários, trabalhadores das minas, ambulantes, professores e estudantes. Organismos de poder popular foram constituídos em várias cidades, destacando a cidade de El Alto, na região metropolitana da capital La Paz. Porém a rebelião das massas foi traída pelos oportunistas, com Morales à cabeça, que desviou do caminho revolucionário para o pântano eleitoreiro.

Evo Morales, apoiando-se em uma plataforma populista e discurso de defesa dos camponeses cocaleros (cultivadores da planta da coca) e nacionalização do gás e petróleo, foi eleito presidente. Seguindo a senda oportunista de Hugo Chávez, Morales assumiu o posto de seu lugar-tenente, o mesmo discurso radical anti-estadunidense, a tomada militar de refinarias, o servilismo ao capital europeu.

Com a exceção de algumas reformas burguesas promovidas por Chávez e Morales, as mudanças anunciadas com estardalhaço por um ou outro destes governos, como revolucionárias, nacionalistas e populares, não passam de medidas cosméticas para o embelezamento do capitalismo burocrático reinante nos países do continente, assistencialismo e corporativismo.

Se por um lado proferem discursos furiosos contra o EUA, por outro, pactuam compromissos com setores das classes dominantes e principalmente com o imperialismo ianque para a manutenção da sua política econômica, comercial e seus interesses estratégicos políticos-militares. As expectativas e promessas, com as quais grande parte das massas populares foram atraídas a votar nessas frentes e políticos oportunistas, têm se transformando em rotunda decepção, frustração e desânimo. O caso do Brasil é notório exemplar disto. A promessa de décadas a fio do senhor Luiz Inácio Lula, de promover uma reforma agrária, transformou-se na política mais serviçal aos latifundiários, recrudescimento da repressão sobre o movimento camponês combativo e do discurso de política internacional independente e progressista, na prática a mais podre submissão ao Estados Unidos enviando tropas do exército para reprimir o povo pobre do Haití que luta contra a invasão norte-americana-francesa.

Chavez e Moralez

O papel do oportunismo e seu discurso reformista burguês e demagógico apresenta-se, nos dias atuais, mais do que nunca, como peça chave do imperialismo e do velho Estado para desviar as massas descontentes e rebeladas do caminho revolucionário. A chegada dos oportunistas ao gerenciamento do velho Estado têm mantido no essencial toda a política “neoliberal” herdada de seus antecessores e ditadas pelas agências imperialistas. E mais, utilizando um falso discurso nacionalista, vêm colocando em prática uma série de medidas e ‘reformas’ antipovo e antinacionais, continuando e aprofundando a obra dos seus antecessores.

Na atual situação, o imperialismo prefere ter lideranças como Chávez, Morales, Ortega e outros do tipo à frente do Estado do que correr o risco de uma verdadeira revolução que ameace varrer a todos exploradores e opressores e espalhar suas labaredas por toda América Latina.

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1 Comentário »

  1. quem está assinando este documento ? assuma-se….e não se esqueça de que lado da trincheira voce está, se não está arriscando-se a fazer o discurso da extrema-direita reacionária e conservadora

    Comentário por fabulo — janeiro 3, 2008 @ 12:23 am


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